sexta-feira, 24 de junho de 2011

A mudança que não se dá

   Tire o pé do freio, mas tire o carro da curva.
   Pare com os 360º, não adianta continuar se movimentando se o percurso ainda for o mesmo e cíclico.
   A inércia também se dá em movimento.
  

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Perdoe-se!

 Não deixe o perdão pra mais tarde, como diz uma poetiza em situação atual de roqueira, "o amanhã pode nem chegar".
 Não deixe a mágoa tomar todo o seu tempo, ele é precioso. E não relembre o acontecido com tanta freqüência, porque as feridas ainda estão abertas e assim correm o risco de sentirem falta de plaquetas. Desta forma ela continua aberta, mas o tempo continua passando e com ele não tem como competir. É um jogo que já entramos perdendo se quisermos ultrapassá-lo.
 Vitimize-se menos, olhe, veja e enxergue mais. Escute, preste mais atenção e fale menos porque da próxima vez terá menos chance de errar no mesmo ponto. E se errar, não queixe-se, trate o erro com superioridade, você é maior que ele, não é?
  Seja seu próprio terapeuta, mas sem bengalas, sem próteses. Confronte-se, mas não coloque vendas, nem maquiagens, nem tire os óculos. Tenha coragem pra se auto-criticar e ouvir as críticas, mas não deixe de ser a mudança que quer ver no outro.
  Entregue-se, peça perdão com humildade e olhos verdadeiros, e se for você quem vai ouvir o pedido, aprenda com a humildade alheia e perdoe sem esperanças, sem expectativas de muitas mudanças, porque ele, assim como você, também está no mesmo planeta, o que significa que os erros são quase uma constante sem muitas pausas. Mas antes disso tudo, perdoe-se, porque quem não consegue se perdoar dificilmente será perdoado por alguém.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

  Se uma pedra parecer um iminente tropeço, não pense duas vezes em ultrapassá-la, porque se não fizer, ela o fará.
                                                                             Vanessa Martins

segunda-feira, 4 de abril de 2011

"Feliz é aquele que ao nascer chora enquanto todos riem e que ao morrer ri enquanto todos choram"     
                                                                                                                                         Confúcio

domingo, 3 de abril de 2011

A partida e o amor que fica

     Hoje estava conversando com minha amiga Paulline, e ela estava comentando sobre a morte do cachorro da sua amiga Jú, falava de como nos apegamos aos bichinhos, aos outros. E eu logo perguntei a idade que ele tinha. Parei, me observei e comecei a escrever este parágrafo, que espero que vire um texto interessante.
     Sempre perguntamos a idade que alguém tinha quando morreu. Como se isso fosse amenizar ou piorar o sofrimento. Como se os parâmetros de cedo ou tarde fizesse alguma diferença, mesmo que psicológica ou ilusória.
     Talvez não estejam entendendo muito bem o que quero dizer, mas a questão que estou tentando apontar é para o que valeu a pena. Tendo sido um dia, um mês ou um século de vida, não vai fazer diferença. O que fará e que deve fazer é o tamanho da marca que foi deixada no seu coração neste tempo.
      Ninguém passa despercebido por alguém, seja um “bom dia”, um “boa noite”, uma missa, uma semana no acampamento, um curso superior inteiro juntos, ou mesmo um casamento. Todos somos o resultado de milhares de convivências ao longo da vida, somos nós e mais o outro. Nem que seja somente a conseqüência da atitude alheia.
      Então, à Jú, e a todos nós que vivemos pelos encontros, desencontros, estadas, estadias, permanências e partidas de quem amamos, choremos, mas de saudade e não por qualquer outro motivo. E por mais clichê que pareça, e é, (mas às vezes precisamos deles), choremos alegres porque a cada partida fica a lembrança do amor que sustentava e te sustentará diante da falta.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Ilusão ou realidade

     Acabo de assistir ao “Você vai conhecer o homem dos seus sonhos”Woody Allen, dica do meu amigo Sergio. Bom! Recomendo, mas não venho fazer nenhuma resenha ou crítica, apenas levantar uma questão presente no filme. A ilusão.
     Há um personagem que troca seus psicoterapeutas e analistas por uma vidente. E que durante todo o filme lhe enche de esperanças. E ninguém sabe nem busca saber se essa nova terapeuta é uma fraude ou não, principalmente a filha, porque para ela o que mais importa são os resultados, e sendo realmente uma fraude ou não, a alternativa está fazendo mais efeito que os remédios que sua mãe tomava anteriormente.
      A questão é, até que ponto essa ilusão vale a pena? A mentira que traz benefícios, mesmo que seja enganar a si mesmo, ou realmente acreditar que seja verdade, como no caso dessa personagem. É a ilusão que traz a felicidade tão almejada e procurada em diversas terapias e drogas.
      Talvez essa ilusão seja relativa, talvez todos os nossos conceitos e paradigmas também sejam. A ilusão é realmente algo perigoso? E o que é exatamente? Algumas das definições:

1. crença ou idéia falsa; 2. erro de apreciação; 3. erro de percepção, que consiste em fazer uma interpretação visual dos fatos que não coincide com a realidade; 4. fraude; logro.
  
      E quando essas ilusões se tornam realidade, o que passa a ser uma fraude não é a própria ilusão caindo por terra? Então, meus amigos não é somente a felicidade que é relativa, nem a protagonista deste texto. Mas tudo passa a ser relativo uma vez que não podemos afirmar verdades absolutas quando estamos diante do abstrato.
      Os julgamentos e pré-conceitos devem ser revistos. Não que eu concorde que uma mentira contada dez vezes vire verdade, nem que a ilusão vale mais que uma realidade amarga, mas os nossos julgamentos não merecem aparecer pra estragarem “felicidades”. Eles são muito menores diante do bem que deixaria de existir. Então, façamos nossa análise e usemos unicamente em nossas próprias vidas.

quarta-feira, 23 de março de 2011

A solidão é nosso strip-tease

     
     Schopenhauer costumava dizer que na solidão era a única forma do indivíduo realmente se conhecer, se mostrar, ser ele mesmo. E ainda afirma que quem não ama a solidão não ama a liberdade.
     A pergunta é, até que ponto essa liberdade compensa a solidão? Concordo no ponto em que o amigo Schô schô (como diz uma amiga), fala que é a única maneira do ser se mostrar. Acredito que as grandes multidões o afastam dele mesmo. Claro que não acontece com todos, não é uma regra, e mesmo que fosse, todas elas têm suas exceções.   
     Mas acontece com a grande maioria. Afinal, quem consegue ser você mesmo, sem inclinações mascaradas, sem sorrisos falsos e gostos fingidos para agradar alguém?  
     Pode até dizer que você não é assim, eu mesma digo que não sou, mas duvido que tenha falado a verdade à sua tia de 70 anos sobre homossexualidade ou sobre drogas, que tenha olhado nos olhos da sua avó e falado que o seu cozido estava horrível naquele dia. Duvido.
     Não é questão de hipocrisia, muitas vezes essas “mentirinhas” são necessárias, afinal de contas você não vai desagradar uma senhora de 80 anos desnecessariamente, porque por mais idealista que você seja, acredita que com essa idade nada mais será alterado, nenhum pensamento, nenhuma convicção religiosa ou política, somente desgastes acontecerão.
     Mas você também tem a opção de falar e criar aquele clima na família, tem a escolha de optar pelo cigarro que seu namorado não suporta e perdê-lo, tem a opção de desistir da faculdade mais cara da sua cidade bem no final do curso e perder o amor dos seus pais (pelo menos por uns 3 meses), mas quem tem a coragem de fazer essas escolhas? Quem tem a coragem de ser você mesmo, sem as lantejoulas que enfeitam a máscara que tanto agrada? Quem tem?
     Mas sozinho você não precisa se moldar tanto, não precisaria de frases bem pensadas ou sorrisos talhados. A solidão é o nosso strip-tease. Então, o amigo Arthur, apesar do seu pessimismo característico, não estaria tão equivocado ao falar que sozinho cada um sente o que é, e fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exata do valor da sua personalidade.
      Então, faça o seu strip-tease de máscaras e brilhos sem precisar estar tão sozinho, seja a sua própria essência sem o medo de ficar insosso. E se estiver só, não se preocupe em escolher a fantasia mais atraente, talvez você queira curtir a festa sendo a sua própria companhia dentro de um vestidinho bem confortável.


     Abaixo, alguns trechos na íntegra da obra - “Aforismos para a sabedoria de vida”  
                                  Quem não ama a solidão não ama a liberdade 

   
      “Nenhum caminho é mais errado para a felicidade do que a vida no grande mundo, às fartas e em festanças (high life), pois, quando tentamos transformar a nossa miserável existência numa sucessão de alegrias, gozos e prazeres, não conseguimos evitar a desilusão; muito menos o seu acompanhamento obrigatório, que são as mentiras recíprocas.
        Assim como o nosso corpo está envolto em vestes, o nosso espírito está revestido de mentiras. Os nossos dizeres, as nossas ações, todo o nosso ser é mentiroso, e só por meio desse invólucro pode-se, por vezes, adivinhar a nossa verdadeira mentalidade, assim como pelas vestes se adivinha a figura do corpo.
     Antes de mais nada, toda a sociedade exige necessariamente uma acomodação mútua e uma temperatura; por conseguinte, quanto mais numerosa, tanto mais enfadonha será. Cada um só pode ser ele mesmo, inteiramente, apenas pelo tempo em que estiver sozinho. Quem, portanto, não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se está só é que se está livre.
     A coerção é a companheira inseparável de toda a sociedade, que ainda exige sacrifícios tão mais difíceis quanto mais significativa for a própria individualidade. Dessa forma, cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exata do valor da sua personalidade. Pois, na solidão, o indivíduo mesquinho sente toda a sua mesquinhez, o grande espírito, toda a sua grandeza; numa palavra: cada um sente o que é...”
                                                                       Arthur Schopenhauer

terça-feira, 22 de março de 2011

Fiquem com alguns pensamentos do meu filósofo preferido

"O prazer não é um mal em si; mas certos prazeres trazem mais dor do que felicidade."



"É estupidez pedir aos deuses aquilo que se pode conseguir sozinho. "
                                                                                        Epicuro

A DOR QUE DÓI MAIS

     Hoje estava pensando em escrever sobre a saudade, aí, parei para ler umas coisas e me deparei com esse texto da Martha. Depois dele, qualquer coisa que tentasse escrever nesse exato momento iria parecer no mínimo redundante ou plágio e como isso não faz muito meu estilo, fiquem com a Mathinha...

     "Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
     Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
     Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
      Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
       Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
       Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer."
                                                                                                         Martha Medeiros

segunda-feira, 21 de março de 2011

A recompensa da paciência

     "A glória é tanto mais tardia quanto mais duradoura há de ser, porque todo fruto delicioso amadurece lentamente."

                                                                                                                         
                                                                                 Arthur Schopenhauer